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10/06/2026Dor nas pernas na infância é uma queixa comum, mas nem sempre significa a mesma coisa. Enquanto algumas crianças apresentam o quadro típico da dor do crescimento, outras podem manifestar sintomas relacionados a alterações ortopédicas ou condições que precisam de investigação médica.
O grande desafio para muitos pais é justamente entender quando a dor faz parte de um desconforto benigno e quando ela passa a ser um sinal de alerta. Observar o horário em que os sintomas aparecem, o impacto nas atividades da criança e a presença de outros sinais associados pode ajudar nessa diferenciação.
Neste artigo, você vai entender como identificar as características da dor do crescimento e quais situações merecem uma avaliação ortopédica mais cuidadosa.

Como saber se é dor do crescimento?
Muitos pais ficam preocupados quando a criança começa a reclamar de dores nas pernas, principalmente ao final do dia ou durante a noite. Em muitos casos, esse desconforto está relacionado à chamada dor do crescimento, uma condição bastante comum na infância e que, apesar do nome, não acontece exatamente porque os ossos estão “crescendo”. Ainda assim, ela faz parte do desenvolvimento infantil e costuma ter características bem específicas.
De forma geral, a dor do crescimento aparece principalmente em crianças entre 3 e 12 anos, sendo mais frequente na fase pré-escolar e nos primeiros anos da infância. O desconforto costuma atingir as pernas, especialmente regiões como panturrilhas, coxas ou atrás dos joelhos, e normalmente acontece dos dois lados ao mesmo tempo. Esse é um ponto importante, porque dores localizadas sempre em apenas uma perna merecem uma avaliação mais cuidadosa.
Outro aspecto bastante característico é o horário em que a dor aparece. Muitas crianças passam o dia normalmente, brincam, correm, pulam e participam das atividades sem qualquer limitação. Porém, no fim da tarde ou durante a noite, começam a reclamar de dor, podendo até acordar durante o sono. Apesar disso, no dia seguinte a criança geralmente amanhece bem, sem mancar, sem dificuldade para caminhar e sem perda da disposição habitual.
Além disso, a dor do crescimento não costuma provocar sinais inflamatórios aparentes. Ou seja, normalmente não há inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura local ou limitação dos movimentos. O exame físico realizado pelo ortopedista pediátrico também tende a ser normal, sem alterações articulares ou musculares importantes.
Quando a dor nas pernas da criança pode indicar um problema ortopédico?
Embora a dor do crescimento seja comum na infância e, na maioria das vezes, tenha comportamento benigno, nem toda dor nas pernas deve ser considerada normal. Alguns sinais merecem atenção porque podem indicar alterações ortopédicas, processos inflamatórios ou até outras condições que precisam de investigação médica.
Um dos principais pontos de alerta é a persistência da dor. Ao contrário da dor do crescimento, que costuma surgir de forma episódica e melhorar espontaneamente, dores que aparecem com frequência ou persistem por muitos dias seguidos exigem uma avaliação mais cuidadosa. O mesmo vale quando a criança aponta sempre exatamente o mesmo local doloroso, principalmente se a dor estiver concentrada em apenas uma perna.
A presença de sinais inflamatórios também foge do padrão esperado da dor do crescimento. Inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura na região ou sensibilidade intensa ao toque podem indicar problemas articulares, inflamações ósseas ou lesões que exigem acompanhamento especializado. Quando a dor vem acompanhada de febre, o cuidado deve ser ainda maior, já que algumas infecções ortopédicas podem evoluir rapidamente na infância.
Outro sinal importante é a alteração na forma de andar. Se a criança começa a mancar, evita apoiar uma das pernas ou encontra dificuldade para correr e brincar como de costume, um ortopedista pediátrico deve avaliá-la. Em muitos casos, a limitação das atividades é um dos primeiros indícios de que existe algo além de um desconforto benigno relacionado ao crescimento.
O horário e a evolução da dor também ajudam a diferenciar os quadros. Dores que aparecem durante o dia, atrapalham as atividades habituais ou apresentam piora progressiva ao longo do tempo não costumam ter o comportamento típico da dor do crescimento. Nessas situações, é importante investigar a possibilidade de alterações ortopédicas, doenças inflamatórias, sobrecarga muscular ou outras condições que podem causar dor nos membros inferiores.
Quais doenças podem ser confundidas com dor do crescimento?
Entre as alterações ortopédicas que podem causar sintomas semelhantes estão problemas relacionados ao alinhamento dos membros inferiores, sobrecargas articulares e alterações no desenvolvimento ósseo. Algumas doenças do quadril, por exemplo, podem provocar dor irradiada para a coxa ou para o joelho, o que muitas vezes dificulta a identificação da origem real do problema. Em determinadas situações, a criança nem consegue explicar exatamente onde sente dor, tornando a investigação ainda mais importante.
Doenças reumatológicas da infância também podem se manifestar inicialmente com dores nas pernas. Quadros inflamatórios articulares costumam apresentar sintomas persistentes, rigidez ao acordar ou limitação dos movimentos, mas nem sempre essas características aparecem de forma evidente no início. Por isso, o histórico clínico e o exame físico cuidadoso têm papel importante na diferenciação.
Outra condição frequentemente associada às dores musculoesqueléticas infantis é a deficiência de vitamina D. Em alguns casos, a criança apresenta dores difusas nas pernas, cansaço muscular ou desconforto após atividades físicas, sintomas que podem ser confundidos com dores benignas do crescimento.
Além disso, processos infecciosos também precisam ser considerados, especialmente quando a dor vem acompanhada de febre, indisposição ou dificuldade para caminhar. Algumas infecções ósseas e articulares podem começar de forma mais discreta e evoluir rapidamente se não forem diagnosticadas precocemente.
Alterações musculares, excesso de esforço físico e até hipermobilidade articular podem provocar desconfortos recorrentes nas pernas durante a infância. Dependendo do contexto, essas condições podem gerar dores ao final do dia e criar uma semelhança com o padrão típico da dor do crescimento.
Por esse motivo, o mais importante não é apenas identificar a presença da dor, mas compreender todo o contexto clínico da criança. Avaliar a idade, o padrão dos sintomas, os fatores associados e o impacto nas atividades diárias ajuda a evitar diagnósticos equivocados e garante uma condução mais segura para cada caso.
Quais exames podem ser necessários para investigar a dor?
Na maioria das crianças com quadro típico de dor do crescimento, o diagnóstico é feito principalmente por meio da avaliação clínica. Isso significa que a conversa com os pais, a análise do padrão da dor e o exame físico realizado pelo ortopedista pediátrico costumam ser suficientes para identificar o problema, sem necessidade de exames complementares.
Durante a consulta, o médico avalia características importantes, como localização da dor, frequência dos episódios, horário em que os sintomas aparecem e presença de sinais associados. Também é feita uma análise da marcha, da mobilidade das articulações e do comportamento da criança durante as atividades do dia a dia. Quando tudo segue o padrão clássico da dor do crescimento, geralmente não existem alterações no exame físico.
Quais exames podem ser solicitados quando há suspeita de outro problema?
Por outro lado, quando surgem sinais de alerta ou dúvidas no diagnóstico, alguns exames podem ser necessários para aprofundar a investigação. Exames de sangue, por exemplo, ajudam a avaliar a presença de processos inflamatórios, infecciosos ou alterações metabólicas que podem estar relacionadas à dor. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames laboratoriais para investigar marcadores inflamatórios, deficiência de vitamina D ou outras condições clínicas.
Os exames de imagem também têm papel importante em situações específicas. As radiografias costumam ser uma das primeiras opções quando existe suspeita de alterações ósseas, desalinhamentos, lesões ou problemas articulares. Em quadros mais complexos, outros exames podem ser indicados para uma avaliação mais detalhada, especialmente quando há dor persistente, limitação funcional ou alterações no exame físico.
É importante entender que os exames não são solicitados de forma automática em toda criança com dor nas pernas. A investigação deve ser individualizada, considerando os sintomas, a idade, a evolução do quadro e os achados da avaliação médica. Esse cuidado evita tanto exames desnecessários quanto atrasos no diagnóstico de condições que realmente precisam de tratamento específico.co conduza cada caso de forma adequada, com orientações personalizadas para a criança.
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Cuidar da saúde ortopédica infantil desde cedo faz toda a diferença no desenvolvimento da criança. O acompanhamento com um especialista permite identificar alterações precocemente e orientar o melhor caminho para cada caso, sempre com foco em um crescimento saudável e funcional.
O Dr. Lucas Rodrigues é ortopedista pediátrico, com formação e especialização em instituições de referência e atuação dedicada ao cuidado de crianças com diferentes condições ortopédicas, como pé torto congênito, pé plano e alterações da marcha. Sua abordagem une conhecimento técnico, atendimento individualizado e um olhar atento às necessidades de cada família, buscando sempre segurança, acolhimento e bons resultados no tratamento.



