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02/03/2024
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02/03/2024Receber o diagnóstico de pé torto congênito em um bebê costuma gerar muitas dúvidas e inseguranças. Afinal, como será o tratamento? Existe solução? E, principalmente, a criança poderá ter uma vida normal no futuro?
A boa notícia é que, com os avanços da ortopedia pediátrica, hoje existem abordagens eficazes e pouco invasivas, capazes de corrigir a deformidade ainda nos primeiros meses de vida. Entre elas, o método de Ponseti se destaca no tratamento dessa condição, com excelentes resultados quando iniciado precocemente.
Neste artigo, você vai entender como funciona o método de Ponseti. Incluindo suas etapas e por que ele é tão importante no tratamento do pé torto congênito.

Como funciona o tratamento do pé torto congênito?
O tratamento do pé torto congênito evoluiu significativamente nas últimas décadas, e hoje existe uma abordagem bem estabelecida para corrigir essa condição ainda nos primeiros meses de vida. Atualmente, o método de Ponseti é reconhecido como referência na ortopedia pediátrica, sendo muito utilizado em todo o mundo pelos seus altos índices de sucesso.
Essa forma de tratamento se baseia em um princípio progressivo, no qual a equipe realiza a correção da deformidade de maneira gradual. Em vez de intervenções cirúrgicas extensas, os profissionais reposicionam o pé aos poucos, respeitando a anatomia e a resposta dos tecidos do bebê. Na maioria dos casos, esse processo ocorre sem a necessidade de cirurgias mais invasivas. Assim, tornando o tratamento menos agressivo e proporciona melhores resultados funcionais a longo prazo.
Outro ponto é o momento de início. A equipe inicia o tratamento o quanto antes, preferencialmente nas primeiras semanas de vida, já que isso aumenta a capacidade de correção, pois os tecidos ainda apresentam maior maleabilidade e respondem melhor às manipulações. Essa precocidade contribui diretamente para um alinhamento adequado do pé e para o desenvolvimento motor saudável da criança ao longo do crescimento.
Método de Ponseti: o que é e por que é o mais indicado?
O método de Ponseti é a principal abordagem utilizada no tratamento do pé torto congênito e se consolidou, ao longo dos anos, como a técnica mais recomendada na ortopedia pediátrica. Desenvolvido pelo médico espanhol Ignacio Ponseti, esse método revolucionou a forma de tratar a condição ao propor uma correção progressiva. Tudo isso baseado no conhecimento detalhado da anatomia e do funcionamento do pé do bebê.
A equipe aplica a proposta do método por meio de ajustes suaves e sequenciais, corrigindo gradualmente as deformidades com manipulações específicas. A cada etapa, os profissionais posicionam o pé de forma mais próxima do alinhamento adequado, respeitando os limites e a resposta dos tecidos, que nessa fase da vida apresentam maior flexibilidade. Esse cuidado permite uma correção sem causar agressões desnecessárias às estruturas em desenvolvimento.
Por esses resultados consistentes, o método de Ponseti é recomendado por sociedades de ortopedia em todo o mundo. Sua alta taxa de sucesso, associada a um perfil de segurança elevado, faz com que ele seja a primeira escolha na grande maioria dos casos. Além disso, ao respeitar a anatomia do bebê e conduzir a correção de forma gradual, o método evita, na maior parte das situações, a necessidade de cirurgias mais invasivas, favorecendo um desenvolvimento mais natural e funcional do pé ao longo do crescimento.
Como são feitos os gessos no tratamento do pé torto?
A equipe inicia a fase inicial do tratamento pelo método de Ponseti com o uso de gessos seriados, que desempenham um papel importante na correção gradual do pé torto congênito. Nessa etapa, os profissionais reposicionam o pé de forma progressiva, respeitando a resposta dos tecidos e promovendo um alinhamento cada vez mais próximo do normal.
Antes de cada novo gesso, o ortopedista realiza uma manipulação cuidadosa do pé do bebê. Esse movimento não é aleatório, mas sim baseado em uma sequência específica de correções, que atua sobre as estruturas encurtadas e desalinhadas. Após essa manipulação, a equipe aplica o gesso para manter o pé na nova posição alcançada, permitindo que os tecidos se adaptem ao longo dos dias seguintes.
Esses gessos são, em geral, trocados semanalmente. A cada troca, um novo ajuste é feito, avançando gradualmente na correção da deformidade. O número total de trocas pode variar de acordo com a gravidade do caso, mas, na maioria das vezes, são necessárias cerca de cinco a sete aplicações para atingir um bom alinhamento inicial.
A equipe garante a adesão ao acompanhamento nesse período para o sucesso do tratamento. Os responsáveis comparecem às consultas nas datas corretas e seguem as orientações médicas, o que permite que cada etapa aconteça no momento adequado, evita retrocessos e contribui para um resultado mais duradouro.
Tenotomia e uso de órtese: quando são necessários?
Em muitos casos, após a fase dos gessos seriados, ainda pode ser necessário um passo adicional para completar a correção do pé torto congênito: a tenotomia do tendão de Aquiles. Esse procedimento é simples, rápido e realizado de forma minimamente invasiva, geralmente com anestesia local. O objetivo é liberar o tendão, que costuma estar encurtado, permitindo que o pé alcance a posição adequada, especialmente em relação ao movimento de elevação (dorsiflexão).
Após a tenotomia, a equipe coloca um novo gesso por algumas semanas para manter o pé na posição corrigida enquanto ocorre a cicatrização. Essa etapa consolida os ganhos obtidos ao longo do tratamento e prepara o pé para a fase seguinte.
Com a equipe alcançando a correção, inicia-se o uso da órtese, conhecida popularmente como “botinha com barra”. Esse dispositivo mantém o alinhamento do pé e, principalmente, evita recidivas, que podem acontecer quando a família não segue corretamente o tratamento. No início, a equipe orienta o uso da órtese por longos períodos ao longo do dia, incluindo durante o sono, e, com o tempo, reduz o uso gradualmente conforme orientação médica.
A adesão dos pais a essa fase é decisiva para o sucesso do tratamento a longo prazo. Mesmo com a correção já visível, o uso adequado da órtese é o que garante a manutenção dos resultados e reduz o risco de o pé voltar à posição inicial.
Quanto tempo dura o tratamento e quais são as chances de sucesso?
O tratamento do pé torto congênito pelo método de Ponseti envolve diferentes etapas e, por isso, sua duração varia ao longo do tempo. A fase inicial, com os gessos seriados, costuma durar algumas semanas, período em que ocorre a maior parte da correção da deformidade. Em seguida, após a possível realização da tenotomia e a consolidação do alinhamento, inicia-se uma fase mais longa, que exige atenção contínua.
O uso da órtese faz parte desse acompanhamento prolongado e pode se estender por meses ou até anos, conforme a orientação do ortopedista pediátrico. Nos primeiros meses, o tempo de uso é mais intenso, sendo gradualmente reduzido ao longo do crescimento da criança. Essa etapa é necessária para manter o resultado alcançado e permitir que o pé se desenvolva de forma adequada.
Quando o tratamento é seguido corretamente, as chances de sucesso são muito altas. O método de Ponseti apresenta excelentes resultados, com boa função, mobilidade preservada e uma aparência do pé bastante próxima do normal. A maioria das crianças tratadas consegue caminhar, correr e realizar suas atividades sem limitações.
Por outro lado, a equipe reforça que a continuidade do tratamento faz toda a diferença nesse processo. Quando a família interrompe precocemente o tratamento, especialmente o uso da órtese, o risco de recidivas aumenta. Por isso, o acompanhamento regular e o compromisso com todas as etapas garantem resultados mais duradouros.
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Cuidar da saúde ortopédica infantil desde cedo faz toda a diferença no desenvolvimento da criança. O acompanhamento com um especialista permite identificar alterações precocemente e orientar o melhor caminho para cada caso, sempre com foco em um crescimento saudável e funcional.
O Dr. Lucas Rodrigues é ortopedista pediátrico, com formação e especialização em instituições de referência e atuação dedicada ao cuidado de crianças com diferentes condições ortopédicas, como pé torto congênito, pé plano e alterações da marcha. Sua abordagem une conhecimento técnico, atendimento individualizado e um olhar atento às necessidades de cada família, buscando sempre segurança, acolhimento e bons resultados no tratamento.



